Prefeitura de Passa Sete contesta levantamento que aponta município entre os piores índices de qualidade de vida do Estado

Segundo o prefeito, a população recebeu a notícia com surpresa e indignação.
Foto: Henrique Lindner

A divulgação do Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026 feito pelo site G-1, que colocou o município de Passa Sete entre os dez piores colocados do Rio Grande do Sul em qualidade de vida, trouxe questionamentos da administração municipal. Com nota de 51,78 pontos em uma escala de 0 a 100, Passa Sete aparece na posição número 5.409 entre os 5.570 municípios brasileiros avaliados e ocupa a segunda pior colocação entre os municípios gaúchos, atrás apenas de Sentinela do Sul. Diante da repercussão dos dados, o prefeito Maurício Ruoso e a secretária municipal de Assistência Social e primeira-dama Janice Loebens participaram do programa Enfoque, da Rádio Sobradinho, para comentar os resultados e questionar os critérios utilizados pelo levantamento.

Segundo o prefeito, a população recebeu a notícia com surpresa e indignação. Maurício afirmou que diversos moradores entraram em contato com a administração para manifestar discordância em relação à classificação atribuída ao município. O chefe do Executivo destacou que alguns indicadores avaliados pelo IPS consideram áreas que fogem da responsabilidade direta da administração municipal, especialmente na área da saúde. Ele ressaltou que o município mantém quatro unidades de saúde, cinco médicos em atuação e investimentos constantes na atenção básica. Outro ponto questionado foi a metodologia utilizada pelo estudo. A secretária Janice Loebens afirmou que muitos dos dados utilizados podem ter origem em cadastros autodeclaratórios, como o Cadastro Único, e que isso pode não refletir integralmente a realidade atual do município.

A administração também citou conquistas recentes nas áreas de saúde, educação e assistência social. Entre elas, o recebimento de certificações e o cumprimento de metas estabelecidas por programas governamentais. Janice destacou ainda a oferta frequente de cursos profissionalizantes e de qualificação em parceria com entidades como o Senar. Em relação aos indicadores de saneamento básico, a prefeitura reconheceu que o município ainda enfrenta limitações, especialmente na área de esgotamento sanitário. No entanto, o prefeito observou que a responsabilidade pelos investimentos estruturais no setor cabe à concessionária responsável pelo abastecimento de água e saneamento, dentro das metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento. A administração também contestou indicadores relacionados à moradia, segurança e acesso à comunicação, argumentando que parte das informações pode ter como base dados de anos anteriores e que nem sempre representam a situação atual do município.

Durante a entrevista, o prefeito Maurício Ruoso defendeu que a qualidade de vida deve ser analisada além dos números estatísticos, levando em consideração aspectos como tranquilidade, segurança, convivência comunitária e qualidade do ambiente rural. O prefeito destacou que muitas famílias escolhem Passa Sete para viver justamente pelas características do município. O levantamento do IPS Brasil utiliza 57 indicadores sociais e ambientais divididos em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades. O estudo busca medir a qualidade de vida da população sem utilizar indicadores econômicos, baseando-se exclusivamente em dados sociais e ambientais. A administração municipal afirmou que seguirá trabalhando para ampliar investimentos e melhorar os serviços oferecidos à população.

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