Vereadora Cátia Dalmolin revela ser alvo de Processo Ético-Disciplinar na Câmara de Sobradinho

Cátia afirmou que o procedimento está relacionado a uma situação ocorrida em março deste ano, quando esteve no hospital São João Evangelista de Sobradinho.
Foto: Fabricio Ceolin

O espaço da tribuna da sessão da Câmara de Vereadores de Sobradinho promovida na noite dessa segunda-feira (17), teve como um dos principais assuntos o Processo Ético-Disciplinar Parlamentar nº 01/2026, que está sendo analisado por uma Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. Até então, a Câmara havia informado que o procedimento era sigiloso e que não seriam divulgados nomes de parlamentares envolvidos. Durante a sessão, porém, a vereadora Cátia Dalmolin (PP) utilizou a tribuna e declarou publicamente que é a parlamentar investigada no processo. Em sua manifestação, Cátia afirmou que o procedimento está relacionado a uma situação ocorrida em março deste ano, quando esteve no hospital São João Evangelista de Sobradinho após, segundo seu relato, ser procurada por pacientes que teriam relatado dificuldades no atendimento. A vereadora disse que esteve no local no exercício de sua função de fiscalização.

Sem citar nomes, a parlamentar deu a entender que a denúncia ao Legislativo foi apresentada pelo Interventor do Hospital, vice-prefeito Nilo Wietzke. Cátia também questionou a contratação pela Câmara, de uma assessoria jurídica especializada para acompanhar o processo. Conforme já informado pelo Legislativo, o escritório João Felipe Lehmen – Sociedade Individual de Advocacia foi contratado pelo valor de R$ 30 mil, para prestar serviços de assessoria e consultoria técnico-jurídica à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, exclusivamente no âmbito do processo. A vereadora afirmou que a Câmara já possui estrutura jurídica própria e também mantém contrato de assessoria com o IGAM:  Instituto Gamma de Assessoria a Órgãos Públicos. Por isso, questionou a necessidade da contratação adicional e defendeu que os recursos públicos sejam utilizados em outras demandas, especialmente na área da saúde.

Durante sua manifestação, Cátia afirmou que não se opõe à investigação de sua conduta e que está disposta a prestar os esclarecimentos necessários. Segundo ela, o exercício da fiscalização faz parte das atribuições do vereador e não deve ser utilizado como forma de intimidação. Após a manifestação da vereadora, a presidente da Câmara, Ingrid Hermes (MDB), também se pronunciou. Ingrid afirmou que a condução do processo busca observar a imparcialidade e que as decisões tomadas pela Câmara não têm a intenção de prejudicar qualquer vereador ou partido. A presidente destacou que a decisão sobre eventual responsabilização não cabe exclusivamente à presidência, mas seguirá os procedimentos previstos e envolverá os vereadores responsáveis pela análise da matéria. Sobre a destinação dos recursos da Câmara, Ingrid explicou que o Legislativo não pode utilizar diretamente seu orçamento para pagar consultas ou exames médicos.

Segundo ela, ao final do exercício, havendo disponibilidade financeira, a Câmara poderá avaliar a devolução de recursos ao Poder Executivo, e apenas sugerir a aplicação conforme as necessidades do município. Ingrid Hermes informou ainda que atualmente a Câmara utiliza cerca de 1,7% do orçamento a que teria direito, dentro do limite constitucional de até 7%, e defendeu que a próxima gestão do Legislativo avalie a disponibilidade financeira para ampliar a margem de recursos da Casa. O Processo Ético-Disciplinar Parlamentar nº 01/2026 continua em tramitação. A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar conta com acompanhamento jurídico, e, conforme informado anteriormente pela presidência, o procedimento possui prazo para conclusão. Após o encerramento dos trabalhos e observados os procedimentos legais, deverão ser divulgadas as informações que puderem se tornar públicas.

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