Uma história de perda, recomeço e solidariedade vem mobilizando moradores da região. O agricultor Adriano Brixner, morador de Linha Turvo, no município de Segredo, perdeu a esposa, Jalinara, há cerca de dois meses, após ela sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Desde então, ele assumiu sozinho os cuidados dos quatro filhos pequenos e também da mãe, de 81 anos, que enfrenta problemas de saúde.
Em entrevista à Rádio Sobradinho, Adriano contou que ele e Jalinara se casaram em 2004 e, após cinco anos de casamento, começaram a tentar ter filhos. Depois de aproximadamente dez anos de tratamentos e consultas, inclusive em Porto Alegre, o casal realizou uma fertilização in vitro em uma clínica de Passo Fundo. O procedimento resultou no nascimento das gêmeas Andrine e Andriara, hoje com sete anos.
Quando as meninas tinham quatro anos, o casal decidiu tentar novamente o tratamento para ter um menino. Mais uma vez, o procedimento resultou em uma gestação de gêmeos: Adrian e Adriel, que completaram três anos em julho.
Durante a trajetória para formar a família, o casal fez uma promessa religiosa: levaria os filhos para participar de missas em 50 igrejas diferentes caso conseguisse realizar o sonho de ter filhos. Até o momento da entrevista, a família já havia cumprido a visita em 48 igrejas.
A realidade da família, porém, mudou completamente há cerca de dois meses, com a morte de Jalinara. “Desde o primeiro momento, quando ela faleceu, não me passou outra coisa na cabeça a não ser cuidar deles”, relatou Adriano.

Agricultor precisou abandonar o plantio
Antes da perda da esposa, Adriano trabalhava na agricultura, principalmente com o cultivo de tabaco. Segundo ele, chegou a plantar cerca de 120 mil pés de fumo. Enquanto ele trabalhava na lavoura, Jalinara era responsável pela casa e pelos filhos. Com a nova realidade familiar, o agricultor decidiu não realizar o plantio nesta safra. Ele explicou que chegou a considerar a contratação de uma pessoa para ajudar nos cuidados com as crianças e com a mãe, mas percebeu que seriam necessárias pelo menos duas pessoas, o que tornaria a atividade agrícola inviável financeiramente. “Eu decidi não plantar mais, e eu mesmo cuidar das crianças, da avó e da casa”, explicou.
A decisão, entretanto, significa abrir mão da principal fonte de renda da família. Adriano conta que ainda possui uma reserva financeira proveniente da safra anterior, mas que os recursos devem terminar nos próximos meses.
Além disso, ele possui financiamentos feitos durante o período em que trabalhava na agricultura. Sem produção e, consequentemente, sem a renda da lavoura, o pagamento dessas dívidas se tornou mais uma preocupação.
Pedido de pensão está em análise
Adriano também procurou o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) para verificar a possibilidade de receber benefícios sociais. Segundo ele, o Bolsa Família não foi concedido porque o sistema ainda registra a renda proveniente da safra anterior. Um pedido de pensão por morte foi encaminhado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Inicialmente, o pedido foi negado, mas, de acordo com Adriano, uma nova solicitação foi apresentada após a identificação de uma possível pendência documental e atualmente está em análise.
Mesmo que seja concedida, a pensão representaria, segundo ele, aproximadamente um salário mínimo, valor que considera insuficiente para manter quatro crianças. A mãe de Adriano também recebe aposentadoria, mas enfrenta problemas de saúde. Ela foi diagnosticada com Alzheimer e Parkinson e recentemente também recebeu o diagnóstico de estenose valvar, condição que exigirá um procedimento cirúrgico. Os gastos com medicamentos e tratamentos pesam no orçamento familiar.
Rede de solidariedade já ajuda a família
Apesar das dificuldades, Adriano destaca que tem recebido apoio dos vizinhos, familiares e da comunidade. No dia da entrevista, por exemplo, as crianças ficaram sob os cuidados de familiares e vizinhos para que ele pudesse participar do programa de rádio. Ele também conta com o auxílio de uma sobrinha, que trabalha em uma creche e sugeriu a matrícula dos meninos. As meninas participam de atividades oferecidas pelo CRAS e permanecem na escola em período integral em dois dias da semana.
Essas iniciativas têm permitido que Adriano tenha algumas horas disponíveis para cuidar da casa e realizar pequenas atividades na propriedade, como preparar uma horta e produzir alimentos para o consumo da família.
Adriano afirma que qualquer tipo de ajuda é bem-vinda, seja financeira, com alimentos, roupas, brinquedos ou outros itens necessários para as crianças.
Durante a entrevista, também foi disponibilizada uma chave Pix para quem desejar contribuir financeiramente com a família. Doações em dinheiro podem ser feitas através do CPF de Adriano: 971.615.430-53.
“Hoje eu sou o pai, eu sou a mãe”
Além da dificuldade financeira, Adriano enfrenta o desafio de aprender tarefas que anteriormente eram realizadas pela esposa. Trocar fraldas, colocar as crianças para dormir, lavar, dobrar e guardar roupas e preparar as refeições passaram a fazer parte da rotina do agricultor. “Hoje eu sou o pai, eu sou a mãe”, afirmou.
Ele conta que os filhos ainda sentem a ausência da mãe. Nos primeiros dias, segundo Adriano, as crianças praticamente não compreenderam o que havia acontecido. Com o passar das semanas, começaram a perceber a perda e, eventualmente, ainda perguntam pela mãe. Apesar de tudo, o agricultor demonstra esperança de que a situação melhore com o tempo. “É um recomeço totalmente diferente do que a gente estava acostumado”, resumiu.
Adriano reconhece que os próximos anos serão difíceis, mas acredita que, à medida que as crianças crescerem, a rotina também ficará mais leve. Enquanto isso, ele conta com a solidariedade da comunidade para atravessar este período e garantir o sustento e os cuidados dos quatro filhos e da mãe. A história de Adriano foi relatada em entrevista ao Programa Enfoque da Rádio Sobradinho, onde ele agradeceu às pessoas que já vêm oferecendo ajuda à família.








