Delegada diz que PM que atirou em mecânico deve ser indiciado por tentativa de homicídio e pode ir a júri popular

Para a Polícia Civil, o uso da arma de fogo teria colocado o agressor em uma posição de vantagem e dificultado a defesa da vítima.
Foto - Arquivo Rádio Sobradinho

O inquérito da Polícia Civil que investiga as circunstâncias dos disparos contra o mecânico de motos Wilian Wink deverá ser concluído nos próximos dias. Foi o que disse a delegada Graciela Foresti Chagas, em entrevista ao programa Enfoque da Rádio Sobradinho nesta quarta-feira, 12. Ela disse que ainda faltam alguns elementos para encerrar a investigação, mas adiantou que o PM autor dos disparos deverá ser indiciado por tentativa de homicídio. Conforme a delegada, mesmo que o investigado alegasse não ter a intenção direta de provocar a morte da vítima, a Polícia Civil entende que ele, por conhecer o funcionamento e os riscos relacionados ao uso de arma de fogo, teria assumido o risco de produzir esse resultado.

Outro aspecto apontado pela delegada é o fato de a vítima, conhecida como Alemão Performance, estar desarmada no momento do ataque. Para a Polícia Civil, o uso da arma de fogo teria colocado o agressor em uma posição de vantagem e dificultado a defesa da vítima. Por isso, uma das possíveis qualificadoras analisadas é o recurso que teria impossibilitado a defesa do mecânico. Já em relação à possibilidade de o crime ter sido cometido por motivo fútil, a delegada afirmou que a investigação não caminha nesse sentido. Segundo ela, o histórico de conflitos entre as partes durante dois anos descarta essa possibilidade, neste momento.

O crime ocorreu no dia 01 de agosto, no Bairro Rio Branco, em Sobradinho. O PM saiu do seu posto de trabalho em Passa Sete e foi até a oficina localizada nas proximidades de sua residência e, após rápida agressão ao mecânico, efetuou os disparos. Três dos quatro tiros acertaram Wilian. Logo após, o policial foi até o quartel da Brigada Militar em Sobradinho onde entregou a arma funcional utilizada. Ele foi preso em flagrante, inicialmente pelo abandono de posto. Dois dias após, ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Militar atendendo pedido da autoridade de Polícia Judiciária Militar. Ele permanecesse preso desde então no Presídio da Brigada Militar em Porto Alegre. Já na última sexta-feira, 07, o Poder Judiciário também decretou a prisão preventiva do brigadiano atendendo pedido feito pela Delegada de Polícia no âmbito do inquérito civil.

Na entrevista desta quarta-feira, Graciela Foresti Chagas informou que o PM deverá ser interrogado ainda esta semana. Ela confirmou que havia um desentendimento entre a família do policial e o mecânico por conta do barulho gerado na oficina, especializada em motos para competição, o que estaria comprovado por diversos registros de ocorrências feitos na Brigada Militar. Alguns destes registros chegaram a ser enviados ao Poder Judiciário e foram arquivados. Outros seguem em aberto. A primeira ocorrência relacionada à situação teria sido registrada ainda em 2024. Desde então, segundo a Polícia Civil, foram registrados novos episódios envolvendo as partes.

A delegada ressaltou, no entanto, que a existência dos conflitos anteriores explica a motivação investigada, mas não justifica os disparos. A Polícia Civil também investigou a informação de que uma terceira pessoa teria sido atingida por um disparo durante o episódio. Um cliente de Caxias do Sul que estava no local relatou que tentou intervir para acalmar os ânimos. Conforme o depoimento, o primeiro disparo teria sido feito como advertência para que ele não se aproximasse e acabou atingindo o tênis que usava.

A delegada revelou ainda que, dias após ao fatos, a filha do policial investigado, uma criança de 10 anos, teria sido hostilizada nas proximidades da escola por uma pessoa que estaria em uma motocicleta. O condutor da moto teria feito manobras ao redor da criança, situação que pode caracterizar ameaça ou outra forma de hostilidade. O caso será investigado pela delegada.

A Polícia Civil também solicitou à prefeitura a documentação relativa à oficina, e até agora foi apenas parcialmente atendida. Já o inquérito Policial Militar que também apura o crime deverá estar concluído até o fim do mês. Ambos procedimentos serão remetidos ao Poder Judiciário. Caso seja denunciado por tentativa de homicídio, poderá ser levado a júri popular.

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