Produtor rural de Arroio do Tigre é investigado por suposto trabalho análogo à escravidão e busca acordo com o Ministério Público do Trabalho

A movimentação mobilizou familiares e pessoas próximas ao agricultor investigado.
Foto: IA

Um produtor de tabaco de Arroio do Tigre foi alvo de uma operação conduzida por representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT) e agentes da Polícia Federal, após denúncia envolvendo suposta prática de trabalho análogo à escravidão em atividade fumageira. A fiscalização ocorreu no dia 6 de maio, em uma propriedade rural localizada na comunidade de Linha Taquaral, interior do município. Conforme relatos obtidos pela reportagem das rádios Sobradinho e Jacuí, a chegada das autoridades surpreendeu a família, que acompanhou a ação de fiscalização na propriedade. Segundo informações apuradas, participaram da operação agentes da Polícia Federal e equipes ligadas ao Ministério Público do Trabalho.

A movimentação mobilizou familiares e pessoas próximas ao agricultor investigado. Na quarta-feira (21), foi realizada uma audiência virtual envolvendo o escritório de advocacia responsável pela defesa da família. O procedimento segue sendo conduzido pelo Ministério Público do Trabalho, por meio da unidade de Santa Cruz do Sul. De acordo com o advogado que representa os produtores, a investigação está relacionada à situação de um homem que reside há cerca de 28 anos junto à família na propriedade rural. A defesa sustenta que nunca existiu relação caracterizada como trabalho análogo à escravidão e argumenta que, em áreas rurais da região, é comum que pessoas permaneçam residindo com famílias agricultoras por longos períodos em razão de vínculos pessoais e da ausência de outro local de moradia.

Ainda conforme o advogado, durante o andamento do procedimento foram apresentadas alternativas à família para regularização da situação: reconhecer formalmente vínculo de trabalho ou incluir o homem como integrante do núcleo familiar por meio de adoção. Segundo a defesa, a família optou pela adoção. Conforme o advogado, após esta iniciativa, a investigação deve ser arquivada e a família não corre risco de ser condenada. Esta não é a primeira atuação do MPT em Arroio do Tigre relacionada à atividade fumageira. Em 2023, uma propriedade localizada em Sítio Baixo também foi fiscalizada durante o período de colheita do tabaco. Na ocasião, conforme registros divulgados à época, os fiscais identificaram a presença de um menor entre os trabalhadores envolvidos no corte do tabaco. O fato resultou na aplicação de multa ao produtor e deu origem a desdobramentos administrativos e jurídicos.

Ao acessar e navegar neste website você está de acordo com a nossa Política de Privacidade