Meteorologistas alertam: El Niño recorde pode antecipar em uma década o clima do futuro

A expectativa é que o El Niño de 2026-2027 supere, em intensidade, os seis maiores episódios anteriores utilizados nas comparações históricas.
Foto: Divulgação

O El Niño histórico de 2026-2027 poderá fazer o planeta experimentar, ainda nesta década, temperaturas globais que só eram esperadas para muitos anos mais tarde, por volta de 2037. O fenômeno funcionará temporariamente como uma espécie de “máquina do tempo climático”.

O alerta é da MetSul Meteorologia que já havia informado em abril deste ano que um El Niño forte n̈aceleraria ainda mais o aquecimento do planeta.

De acordo com texto publicado pelos meteorologistas Luiz gFernando Nachtigall e Estael Sias, a combinação entre o aquecimento provocado pelas emissões de gases de efeito estufa e um El Niño excepcionalmente intenso deverá produzir uma elevação extraordinária da temperatura média global. O resultado poderá ser um salto térmico capaz de antecipar em até mais de uma década condições climáticas futuras.

Os dois meteorologistas citam uma análise do cientista climático Zeke Hausfather, divulgada pelo jornal The Washington Post. O especialista estima em aproximadamente 95% a probabilidade de 2027 se tornar o ano mais quente já registrado no planeta. A temperatura média global poderia alcançar cerca de 1,76°C acima do período pré-industrial

Se esse cenário se confirmar, o valor seria aproximadamente 0,29°C superior ao que seria esperado considerando apenas a tendência de aquecimento observada na última década.

Pode parecer pouco, mas é uma diferença enorme para a média global e suficiente para transportar temporariamente o planeta para um patamar climático futuro. Dependendo da intensidade efetivamente observada, o salto poderia representar uma antecipação de sete a 13 anos.

A possibilidade de 2026 também terminar como o ano mais quente da história existe. Segundo a análise, entretanto, ainda há praticamente um empate entre a chance de o recorde ser quebrado ou não, dependendo do conjunto de dados utilizado para calcular a temperatura média global. Para 2027, o sinal é muito mais claro. Isso ocorre porque o aumento da temperatura atmosférica associado ao El Niño apresenta uma defasagem em relação ao aquecimento das águas do oceano.

O calor acumulado no Pacífico continuará sendo transferido para a atmosfera mesmo depois do pico do fenômeno. O oceano armazena enormes quantidades de energia e parte desse calor é redistribuída para a atmosfera e posteriormente transportada para outras regiões do planeta.

A expectativa é que o El Niño de 2026-2027 supere, em intensidade, os seis maiores episódios anteriores utilizados nas comparações históricas. A lista inclui os eventos de 2015, 1997, 1982, 1972, 1888 e 1877, embora os registros dos episódios mais antigos tenham limitações maiores.

No Pacífico Equatorial as temperaturas da superfície do mar já estabeleceram uma sequência extraordinária de recordes por 75 dias consecutivos. E a sequência pode continuar.

As projeções indicam que as águas do Pacífico Equatorial poderão atingir mais de 4°C acima da média em dezembro. Se isso acontecer, o valor superaria o recorde anterior por mais de 1°C.

O episódio de 2026-2027, assim, poderá ser lembrado não apenas como um dos maiores El Niños já observados, mas como um evento que revelou antecipadamente a dimensão do aquecimento que o planeta poderá enfrentar nas próximas décadas.

(O texto completo está publicado no site MetSul Meteorologia)

Ao acessar e navegar neste website você está de acordo com a nossa Política de Privacidade