A Câmara de Vereadores de Sobradinho aprovou na sessão dessa segunda-feira (11), o projeto de lei que autoriza o Executivo Municipal a contratar uma operação de crédito de aproximadamente R$ 10 milhões de reais junto à Caixa Econômica Federal para investimentos no Hospital São João Evangelista II. O projeto recebeu seis votos favoráveis e dois contrários, das vereadoras Cátia Dalmolin e Daniele Karnopp, ambas do PP. O principal objetivo do financiamento é a modernização e ampliação da estrutura hospitalar. Conforme o projeto apresentado pelo Executivo, cerca de R$ 5,4 milhões serão destinados para obras de infraestrutura e aproximadamente R$ 4,6 milhões para aquisição de equipamentos e mobiliário. Entre as melhorias previstas estão a ampliação do bloco cirúrgico, implantação de um centro de diagnóstico por imagem, construção de lavanderia, áreas de apoio técnico, salas administrativas, espaço de recuperação pós-operatória e outras adequações estruturais.
Antes da votação, a procuradora jurídica do município, Greta D’Olanda, utilizou a tribuna da Câmara para esclarecer dúvidas dos vereadores e explicar o funcionamento da operação de crédito. Segundo ela, o financiamento faz parte de um programa federal e somente poderá ser contratado após a conclusão da desapropriação do prédio do hospital. Greta destacou que o município já busca, junto ao Governo do Estado, outro financiamento através do FUNAFIR, destinado especificamente para a desapropriação da estrutura hospitalar. Conforme explicou, o Estado arcaria com o valor principal do financiamento e o município assumiria os juros da operação. A procuradora ressaltou ainda que a aprovação do projeto não significa a contratação imediata do empréstimo, mas sim uma autorização para reserva dos recursos. Ela explicou que Sobradinho foi contemplado em um programa federal voltado para investimentos em saúde e que o município precisa manter a documentação apta para garantir o acesso aos valores caso a desapropriação seja efetivada.
Segundo Greta D’Olanda, o contrato prevê carência de 12 meses para início do pagamento, juros fixos de 10,57% ao ano e prazo de até dez anos para quitação. Ela também afirmou que o município pagará juros apenas sobre os valores efetivamente utilizados e que os recursos só poderão ser aplicados nas melhorias do hospital, já que o projeto possui destinação específica. Durante a discussão, as vereadoras que votaram contra apresentaram questionamentos sobre o projeto. Cátia Dalmolin afirmou que faltaram informações sobre o impacto financeiro e o endividamento do município ao longo dos próximos anos. A parlamentar também questionou a rapidez da votação e defendeu que o Executivo aguardasse a definição do financiamento estadual para a desapropriação antes de assumir um novo compromisso financeiro. Já Daniele Karnopp declarou que não se sentia segura para aprovar o projeto neste momento. A vereadora classificou a autorização como um “cheque em branco” ao Executivo e afirmou ter dúvidas sobre as garantias da operação e sobre o que acontecerá caso a desapropriação do hospital não seja concretizada.
Apesar disso, Daniele ressaltou que apoia investimentos na saúde e reconheceu a necessidade de melhorias no hospital. Durante a sessão, também foram levantados questionamentos sobre a clareza do projeto e das obras previstas. Um ofício lido antes da votação, mencionava implantação de leitos de UTI e base do SAMU, mas esse documento já teria sido corrigido pelo Executivo. Vereadores favoráveis defenderam a proposta afirmando que o município já enfrenta altos custos mensais para manter o hospital em funcionamento e que a modernização da estrutura seria fundamental para garantir a continuidade dos serviços de saúde em Sobradinho. Nos bastidores da discussão, também foi citado que a intenção futura seria estruturar o hospital para posteriormente viabilizar uma parceria ou administração por parte da iniciativa privada, reduzindo os custos atualmente assumidos pelo município.












