Polícia Civil conclui inquérito que apurou morte de segredense dentro de empresa em São Leopoldo

Agressor será indiciado por homicídio doloso qualificado por motivo fútil e por meio que impossibilitasse a defesa da vítima.

jul 1, 2022

Foto: Reprodução/Câmeras de Videomonitoramento

A Polícia Civil concluiu o inquérito policial e indiciou, nesta quinta-feira (30), Vilson Almeida Telles, de 54 anos. Ele é suspeito de matar, no dia 6 deste mês, o colega de trabalho Marcelo Camillo, de 36 anos, natural de Serrinha Velha/Segredo, dentro da empresa Sulcromo, durante horário de trabalho, em São Leopoldo. De acordo com matéria do G1 RS, Vilson será indiciado por homicídio doloso qualificado por motivo fútil e por meio que impossibilitasse a defesa da vítima. De acordo com o delegado André Serrão, que conduziu a investigação, já havia desentendimento anterior entre suspeito e vítima. Eles, inclusive, teriam sido chamados pelo supervisor do serviço de galvanoplastia da empresa por isso. Naquela manhã, entretanto, a divergência culminou com uma discussão sobre o café dos funcionários.

De acordo com o delegado, nas investigações ficaram esclarecidas que uma desavença ocorrida na manhã do crime teria sido motivada por discussão acerca do café. Apesar disso, o autor nega que tal fato tenha motivado o crime, e alega que teria sido brincadeiras inadequadas ao ambiente de trabalho. Segundo o advogado Cezar Mossini, que representa o suspeito, a defesa ainda não teve acesso ao relatório. Porém, pelas informações preliminares a que teve acesso, “discorda totalmente e apresentará suas razões no momento oportuno”, pois ainda precisa saber se o Ministério Público oferecerá denúncia. De acordo com o advogado, o suspeito declarou na delegacia, se apresentando de maneira espontânea, e acredita, que está coberto por uma excludente de ilicitude.

Devido a normas de segurança do trabalho, a empresa não permitia ingestão do café dentro das dependências. Por isso, os trabalhadores serviam em um setor à parte. Ainda assim, o delegado Serrão esclarece que não seria possível determinar qual foi o teor da discussão: se pelo horário, local ou dinheiro. “O sistema de café funcionava com cada um levando uma térmica de café por dia, em que o Vilson [suspeito] ficava responsável por passar o café e levar para a fábrica. Nesse dia, ele levou mencionando que o Marcelo não poderia, provavelmente por conta de brigas anteriores. Agora, em que termos se deu, o delegado diz que não consegue precisar.

Vilson está preso desde o dia 9, quando se apresentou à polícia. Conforme Serrão, também será pedido à Justiça a conversão da prisão temporária em prisão preventiva. Já a defesa deverá recorrer e pedirá que, em caso de denúncia, ele responda em liberdade. “Se trata antecipação de pena. Estamos extinguindo presunção de inocência. No Brasil, é proibido. É um trabalhador com 22 de anos de empresa, sem nenhum antecedente. Não oferece nenhum risco à sociedade”, sublinha o delegado. A Sulcromo informou que “em respeito à família de Marcelo, a empresa decidiu não comentar mais o caso”.