Nascida em Sobradinho, caminhoneira mais velha do Brasil morre aos 96 anos

Reconhecida pela prudência ao volante, nunca se envolveu em acidentes ou infrações em quase seis décadas de profissão.
Foto: Divulgação

A sobradinhense Nahyra Schwanke entrou para a história como a caminhoneira mais velha do Brasil. Com mais de 70 anos de estrada, tornou-se símbolo de força, coragem e paixão pela profissão. Ela faleceu neste domingo (22), aos 96 anos. Carinhosamente conhecida como Dona Nahyra, nasceu em 4 de dezembro de 1929 e construiu uma trajetória admirada, especialmente em uma época em que a presença feminina nas rodovias era rara. A ligação com os veículos pesados começou ainda na infância. Aos 12 anos, trabalhava na propriedade da família, em Arroio Bonito, interior de Sobradinho, onde conduzia tratores na colheita de grãos. Filha única de um comerciante, precisou assumir responsabilidades cedo para ajudar no sustento da casa.

Em relatos sobre sua trajetória, lembrava que acompanhava o pai desde pequena no trabalho. Quando ele foi acometido pelo mal de Parkinson e perdeu forças para seguir na lida, ela passou a manobrar o caminhão da família e logo passou a encarar a estrada. Na década de 1950, casou-se e teve a filha Salete. Após a separação, decidiu retomar o sonho de infância. Em 1958, aos 27 anos, adquiriu seu primeiro caminhão — um Ford S600 amarelo — e iniciou oficialmente a carreira que a levaria a percorrer praticamente todo o Brasil. Transportando principalmente trigo, arroz e cevada, garantiu o sustento da família e os estudos da filha. Ao longo da carreira, dirigia entre 12 e 15 horas por dia, chegando a percorrer de 8 a 10 mil quilômetros por mês. Muitas noites foram passadas na cabine do caminhão.

Reconhecida pela prudência ao volante, nunca se envolveu em acidentes ou infrações em quase seis décadas de profissão. Seu último caminhão foi um Mercedes Axor 2536. Já aposentada, residia em Não-Me-Toque, onde vivia com a filha e seus cães. Deixou as viagens após enfrentar problemas de saúde e por conta da idade avançada. Nahyra Schwanke foi velada neste domingo (22), em Não-Me-Toque (RS), e sepultada no Cemitério Evangélico do município. Pioneira em um setor historicamente dominado por homens, Dona Nahyra quebrou barreiras e deixa um legado de determinação, abrindo caminho para outras mulheres nas estradas do Brasil.

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