A Prefeitura de Sobradinho promoveu audiência pública para debater a cobrança da contribuição de melhoria referente à pavimentação da rua de acesso ao Cristo Acolhedor, via que integra o loteamento Montanha do Cristo. Durante o encontro, foram apresentados os projetos que contemplam pavimentação, construção de estacionamento, implantação de rede pluvial e demais melhorias na infraestrutura. O investimento previsto é de R$ 789 mil, provenientes de duas emendas parlamentares dos deputados Marcel van Hattem e Marcelo Moraes. A audiência contou com a presença de lideranças da comunidade, vereadores e representantes do Executivo, sob coordenação do secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, Roberto Köhler. Durante a explanação, houve questionamentos em relação à cobrança da contribuição, considerando que o proprietário do loteamento, Roberto Carlos Siman, já havia feito doações ao município, incluindo a área destinada à construção do monumento do Cristo Acolhedor e dos banheiros públicos.
Representantes do Executivo esclareceram que a legislação determina a cobrança de no mínimo 60% do valor investido das vernas públicas, por meio da contribuição de melhoria. Segundo a administração, eventual isenção deveria ter sido prevista formalmente nos projetos e no processo legal de doação da área. Roberto Carlos Siman, proprietário do loteamento Montanha do Cristo, utilizou a palavra para criticar a administração municipal e o cenário político local em tom acalorado. Ele afirmou que a cobrança representa falta de reconhecimento pela doação feita ao município. Também criticou a ausência do ex-prefeito Armando Mayerhofer e apresentou um termo de acordo firmado em dezembro de 2024 entre ele e o município que, segundo o documento, previa isenção da contribuição em futuras obras de melhoria. O setor jurídico da Prefeitura informou que o referido termo não possui validade legal, pois não teria seguido os trâmites exigidos, como aprovação pela Câmara de Vereadores. Conforme a assessoria, acordos envolvendo recursos públicos precisam cumprir os ritos legais para terem eficácia.
Siman também relatou que antes do início da audiência, teria recebido proposta do Executivo para permuta de outro terreno em compensação ao valor da contribuição. Ele afirmou que não aceitará acordo, afirmando que até o momento cumpriu todos os compromissos assumidos com o município. Segundo ele, a Prefeitura não tem cumprido acordos anteriores, como a pavimentação de uma via lateral ao monumento do Cristo, que não consta no atual projeto. O empresário lamentou ainda a ausência do prefeito Maninho Trevisan na audiência e lembrou que o contrato de doação prevê cláusula de reversão da área caso as obras do monumento não sejam concluídas em até dois anos — prazo que se encerra em julho deste ano. O coordenador da audiência pública, Roberto Köhler, não colocou em votação a proposta de cobrança da contribuição. Porém, de forma informal, o empresário Tuki Siman, solicitou a posição dos presentes que se manifestaram contrários à cobrança.
Após debates e manifestações dos presentes, a audiência foi encerrada. O projeto deve entrar na pauta da Câmara de Vereadores na próxima segunda-feira (23). O líder do governo no Legislativo, vereador Jairo Hermes (PDT), informou que os vereadores deverão se reunir com o prefeito Maninho Trevisan na manhã de segunda-feira para discutir o tema. Caberá ao Legislativo aprovar ou rejeitar o projeto de contribuição de melhoria. O parlamentar lamentou que a decisão recaia agora sobre os vereadores, avaliando que o processo poderia ser resolvido entre o empresário e o Executivo. Participaram também da audiência a vice-presidente da Câmara, Ingrid Hermes (MDB), além dos vereadores Jonas Horbach (PT), Dani Karnopp, Catia Dalmolin e Maninho Freitas, da bancada do PP.









