A Brigada Militar concluiu o Inquérito Policial Militar que investigou a conduta do policial que atirou contra o proprietário de uma oficina mecânica no bairro Rio Branco, em Sobradinho, no dia primeiro de agosto. O caso teve ampla repercussão regional.
As conclusões da investigação foram apresentadas nesta sexta-feira, durante coletiva de imprensa concedida pelo comandante regional da Brigada Militar, coronel Tales Américo Osório, em Santa Cruz do Sul.
Segundo a investigação, o policial estava de serviço em Passa Sete quando deixou o município utilizando uma viatura e portando a arma funcional, deslocando-se até a oficina em Sobradinho. No estabelecimento, após um desentendimento com o proprietário, foram efetuados quatro disparos. Três deles atingiram o mecânico Wilian Wink.
Ao final do Inquérito Policial Militar, o policial foi indiciado por abandono de posto e lesão corporal leve contra uma funcionária da oficina. O procedimento foi encaminhado à Justiça Militar do Rio Grande do Sul.
O coronel Osório explicou que a Brigada Militar não investigou a tentativa de homicídio porque crimes dolosos contra a vida praticados por policiais militares contra civis são de competência da Polícia Civil.
Paralelamente ao inquérito militar, a Polícia Civil realizou sua própria investigação e indiciou o policial por tentativa de homicídio qualificado. O Ministério Público também ofereceu denúncia à Justiça, incluindo a acusação de lesão corporal contra a mulher que tentou intervir durante o episódio. Essa parte do processo tramita na Justiça comum, em Sobradinho.
O comandante regional ressaltou que as duas investigações ocorreram de forma paralela e que houve compartilhamento de informações e provas entre as instituições.
Desde o dia primeiro de agosto, o policial permanece preso preventivamente por determinação da Justiça Militar. Conforme informado pelo comandante, cerca de 15 dias após o episódio, o policial procurou atendimento médico e, por decisão da equipe de psiquiatria da Brigada Militar, foi internado no hospital da própria instituição, onde permanece em tratamento.
Por conta das condições de saúde do policial e do estado clínico delicado de Wilian Wink, ambos não chegaram a ser ouvidos durante o Inquérito Policial Militar.
O coronel Tales também afirmou que a Brigada Militar buscou conduzir a investigação com rapidez e rigor, garantindo ao policial os direitos de defesa e o contraditório. Sobre o atendimento à vítima e à família, declarou que a instituição mantém as portas abertas para prestar o apoio que for possível, mas que, neste momento, prefere adotar uma postura de neutralidade diante da situação.
Com a conclusão do inquérito da Brigada Militar, o caso passa agora a seguir os trâmites legais nas duas esferas: na Justiça Militar, em relação aos crimes militares apontados pela investigação da corporação, e na Justiça comum, onde o policial responde pela acusação de tentativa de homicídio qualificado e lesão corporal.








