A Câmara de Vereadores de Sobradinho promoveu na noite desta segunda-feira, a 20ª Sessão Ordinária de 2026, marcada pelo retorno de dois vereadores ao Legislativo, pela prestação de contas da intervenção no Hospital São João Evangelista e por intensos debates sobre a transparência na gestão da instituição.
No início da sessão, reassumiram seus mandatos os vereadores Cristiano Lopes, que voltou à presidência da Câmara após deixar a Secretaria Municipal de Saúde, e Olandir Bernardy (Pequeno), que retornou ao Legislativo após atuar desde janeiro como secretário municipal de Obras. Ambos são do MDB.
Nos bastidores, fontes ligadas ao Executivo e ao Legislativo apontam que o retorno dos dois parlamentares reforçaria a base do governo para a futura apreciação do veto do Executivo ao Projeto de Lei do Legislativo que prevê maior transparência na divulgação das receitas, gastos e despesas do Hospital São João Evangelista (Unidade II), atualmente sob intervenção judicial.
O veto permanece em análise nas comissões permanentes da Câmara. Na justificativa, o Executivo argumenta que o projeto cria obrigações operacionais complexas e pode gerar riscos de exposição de dados sigilosos e sensíveis. A matéria não entrou na pauta desta segunda-feira, o que motivou cobranças dos vereadores autores da proposta: Cátia Dalmolin e Daniele Karnopp do PP, Jairo Hermes (PDT), e Jonas Horbach (PT).
Durante a sessão, os trabalhos foram suspensos para que o vice-prefeito, secretário de Administração e Finanças e interventor do Hospital São João Evangelista, Nilo Wietzke, apresentasse um balanço da intervenção iniciada em fevereiro de 2025.
Segundo Wietzke, a administração promoveu diversas melhorias estruturais, incluindo reformas em alas, quartos, centro cirúrgico, banheiros, posto de enfermagem, elevadores e cozinha, além da aquisição de equipamentos, mobiliário e enxoval. Também destacou a retomada de convênios com Unimed, IPE Saúde, Unicard e Provida, a regularização de exigências da Vigilância Sanitária e da Justiça do Trabalho e o recebimento de doações de entidades e empresas para qualificar os atendimentos.
Na prestação de contas, informou que o hospital possui despesas próprias de aproximadamente R$ 63,8 mil por mês, enquanto recebe cerca de R$ 50 mil mensais, além dos recursos provenientes de convênios. Ressaltou que a Prefeitura complementa mensalmente os custos com folha de pagamento, serviços médicos, alimentação, medicamentos, contabilidade e demais contratos necessários para manter o funcionamento da instituição.

O interventor afirmou ainda que todas as prestações de contas estão em dia, acompanhadas pelo Poder Judiciário, e que a atual gestão reorganizou financeiramente o hospital, regularizando pagamentos a fornecedores e garantindo a continuidade dos serviços.
Após a apresentação, Nilo Wietzke respondeu aos questionamentos dos vereadores, em um amplo debate que teve como tema central o projeto que trata da transparência das despesas do hospital. Em diversos momentos, pessoas presentes no plenário participaram das discussões e exibiram cartazes pedindo maior transparência na gestão da unidade.
Na sequência, foi apreciada uma indicação de autoria dos vereadores Cristiano Lopes, Olandir Bernardy (Pequeno) e Ingrid Hermes, todos do MDB, Valdecir Bilhan-PL e Luiz Freitas – PP, solicitando que o Poder Executivo encaminhe à Câmara um Projeto de Lei de iniciativa do próprio Executivo, com o objetivo de ampliar e garantir a transparência dos atos administrativos relacionados à intervenção no Hospital São João Evangelista, corrigindo ainda pendências no projeto anterior, apresentado pela indicação Legislativa.
Segundo a justificativa, a proposta busca aperfeiçoar os mecanismos de divulgação das informações à população, assegurando maior clareza, acessibilidade e efetividade no controle social sobre a intervenção.
Na votação, os vereadores Jairo Hermes, Jonas Horbach, Daniele Karnopp e Cátia Dalmolin manifestaram voto contrário. Com empate na votação, o presidente da Câmara Cristiano Lopes, utilizou o voto de desempate, aprovando a indicação.
Após o resultado, parte do público presente deixou o plenário protestando e dirigindo xingamentos a vereadores. Diante da situação, o presidente Cristiano Lopes encerrou a sessão por questão de ordem.

Com o encerramento antecipado dos trabalhos, três projetos que constavam na pauta não foram votados. Em entrevista à Rádio Sobradinho, o presidente informou que irá avaliar a convocação de uma sessão extraordinária para apreciação dessas matérias.
Já o veto do Executivo ao projeto que trata da transparência na divulgação dos gastos do Hospital São João Evangelista deverá ser apreciado na sessão ordinária da próxima segunda-feira, dia 13.
Confira a sessão completa em vídeo:








