As mulheres têm conquistado cada vez mais espaço dentro da Brigada Militar e desempenham um papel que vai além do policiamento ostensivo. O acolhimento às vítimas, a proximidade com a comunidade e a atuação na prevenção da violência foram alguns dos temas abordados pelas soldados Bruna Silveira e Luíse Arrial durante entrevista concedida ao Programa Enfoque da Rádio Sobradinho, poucos dias após a homenagem recebida na Câmara de Vereadores pelo Dia da Policial Militar Feminina, celebrado em 18 de junho. Na região, atualmente são 11 mulheres integrando a corporação. A presença feminina, que há algumas décadas era rara, hoje representa um importante avanço na segurança pública e também inspira meninas e jovens que passam a enxergar na carreira militar uma possibilidade profissional. Em Ibarama, por exemplo, Luíse Arrial é a primeira policial militar feminina a atuar no município.
Segundo ela, além do combate à criminalidade, o trabalho diário envolve a construção de vínculos de confiança com a população, especialmente com mulheres que enfrentam situações de vulnerabilidade e violência doméstica. As policiais destacaram que a sensibilidade, a empatia e a escuta qualificada são ferramentas fundamentais no atendimento das ocorrências, principalmente aquelas envolvendo mulheres, crianças e adolescentes. O objetivo é oferecer acolhimento e evitar que as vítimas revivam repetidamente situações traumáticas durante o atendimento. Outro ponto abordado foi a dificuldade de romper o ciclo da violência doméstica. Muitas mulheres acabam retornando aos agressores por dependência financeira, emocional ou por preocupação com os filhos. Nesse contexto, a atuação da Brigada Militar ocorre de forma integrada com a rede de proteção, envolvendo saúde, assistência social, Conselho Tutelar e demais órgãos de apoio, buscando orientar e fortalecer as vítimas para que consigam reconstruir suas vidas.
Além do atendimento às ocorrências, as policiais também desenvolvem ações preventivas nas escolas e participam de atividades de conscientização junto à comunidade. O trabalho, segundo elas, busca não apenas combater a violência, mas também formar uma cultura de respeito e prevenção desde a infância. Durante a entrevista, Bruna e Luíse também desmistificaram a ideia de que as mulheres atuam apenas em funções administrativas dentro da Brigada Militar. Elas ressaltaram que participam das mesmas escalas de serviço, do policiamento ostensivo e das ações operacionais, tendo ingressado na corporação por meio de concurso público em ampla concorrência. As duas policiais afirmaram ainda que o reconhecimento recebido da comunidade e das instituições fortalece o compromisso com a profissão e aumenta a responsabilidade de servir como exemplo para outras mulheres. Segundo elas, a presença feminina na segurança pública amplia a capacidade de acolhimento, fortalece a relação de confiança com a população e contribui para uma atuação cada vez mais humanizada da Brigada Militar.









