Polícia Civil conclui inquérito e apresenta resultados da Operação Cítrica que investigou fraudes na Prefeitura de Agudo

Dezessete pessoas, dentre ex-servidores públicos, empresários, ex-secretários e ex-prefeitos do Município de Agudo foram indiciados

nov 12, 2021

A Delegacia de Polícia de Agudo indiciou, nesta sexta-feira (12), 17 pessoas, dentre ex-servidores públicos, empresários, ex-secretários e ex-prefeitos do Município de Agudo. Os indiciamentos são decorrentes de cinco investigações policiais oriundos da deflagração da Operação Cítrica, no final de dezembro de 2020, que apurou crimes contra a Administração Pública. Conforme as investigações, uma empresa do ramo de internet teria sido constituída mediante o uso de uma pessoa laranja para ser beneficiada pela prestação de serviços de internet ao município, sendo que um dos reais proprietários era uma servidora pública como cargo comissionado do Município de Agudo, lotada no Setor de Informática.

As investigações apontam que a empresa foi constituída dessa forma para burlar vedações previstas na Lei de Licitações, buscando favorecê-la mediante dispensas indevidas de licitações e também uma fraude à licitação ocorrida no final de 2020, bem como a manutenção do poder político por parte dos investigados vinculados a sigla partidária. A Polícia Civil aponta a existência de associação criminosa com “um laranja”. Nesse sentido, as investigações também apontaram irregularidades na aquisição e instalação de torres de transmissão em favor da empresa, inclusive mediante o uso de máquinas públicas da secretaria de obras e agricultura para abertura de estradas e buracos para a colocação de torres. Além disso, foi constatado desvio de energia elétrica em benefício da empresa, paga às custas do erário público para sinal que era distribuído pela empresa.

Também foi constatada a apropriação de computadores de uma escola do interior do município por parte do empresário e da servidora comissionada. Ainda, conforme a Polícia Civil, um ex-secretário de agricultura também teria solicitado internet grátis por um ano em troca dos indevidos benefícios dados para a empresa, notadamente a aquisição das torres pelo poder público e o uso de maquinário público. As investigações também apontaram a utilização indevida, com autorização do Chefe do Executivo à época, de uma ambulância da secretaria de saúde para trazer um equipamento da empresa de Porto Alegre a Agudo.

Ainda, durante as investigações uma testemunha teria sido ameaçada por alguns investigados, bem como foi registrado um ataque informático relacionado aos crimes, que motivaram a deflagração da Operação Cítrica II – Cavalo de Troia, ocorrida em fevereiro deste ano, em virtude de possíveis represálias a outra empresa de fornecimento de Internet.