A Associação dos Fumicultores do Brasil iniciou a primeira rodada de pagamentos do Sistema Mutualista aos produtores com lavouras de tabaco atingidas por granizo na safra 2025/2026. Nesta etapa inicial, foram liberados R$ 88 milhões, o equivalente a 38% do total de indenizações contabilizadas até o momento. O próximo repasse está previsto para terça-feira, 3 de março, no valor de R$ 35 milhões, o que deve elevar o montante pago para R$ 123 milhões — cerca de 51% dos prejuízos apurados até agora.
De acordo com o tesoureiro da Afubra, Fabrício Murini, o cronograma segue uma ordem previamente estabelecida. Segundo ele, o primeiro pagamento costuma concentrar valores mais elevados, contemplando inicialmente lavouras com inscrição quitada à vista, perdas superiores a 75% e OPs quitadas via empresa integradora, conforme a lógica operacional do Sistema Integrado, que prevê quitação de OPs e pagamentos semanais.
Além das indenizações por perdas nas lavouras, o Sistema Mutualista também cobre auxílio funeral e reconstrução de estufas. Na atual safra, os valores destinados à reconstrução de estufas já ultrapassam R$ 13 milhões, enquanto os auxílios funerais superam R$ 10 milhões. Somando lavouras, estufas e funerais, o total desembolsado já passa de R$ 260 milhões.
O número de lavouras sinistradas aumentou 38% em comparação com a safra anterior: passou de 17.694 em 2024/2025 para 24.392 em 2025/2026. Segundo Murini, enquanto o ciclo passado teve incidência de granizo abaixo da média recente, nesta safra os registros voltaram a patamares mais elevados, com danos severos e até perdas totais em algumas áreas. Entre as regiões mais atingidas estão, no Rio Grande do Sul, as microrregiões de Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires; em Santa Catarina, Rio do Sul e Ituporanga; e, no Paraná, Rio Negro e Imbituva.
Apesar de a colheita estar próxima do fim — com cerca de 93% das lavouras já colhidas — aproximadamente 7% ainda permanecem no campo e seguem expostas a possíveis intempéries. A entidade reforça que, em caso de novas ocorrências, os associados continuam amparados pelo Sistema Mutualista. Na avaliação da Afubra, a safra 2025/2026 transcorre dentro da normalidade nos três estados do Sul, apesar de um início considerado atípico, com inverno mais rigoroso, dificuldades na produção de mudas e atraso no transplante, fatores que impactaram o calendário e tornaram a comercialização mais lenta. Até esta semana, apenas 8% do tabaco havia sido comercializado no conjunto dos três estados, com a maioria das empresas iniciando as compras somente em janeiro.
Quanto à qualidade, a entidade aponta bom desempenho do tabaco Virgínia. Já no Burley, algumas regiões mais precoces registraram problemas na cura, enquanto outras mantêm padrão satisfatório. Produtores também relatam maior rigor na classificação por parte de algumas empresas nesta safra. No Rio Grande do Sul, esta é a segunda safra com classificação obrigatória do tabaco na propriedade, conforme determina a legislação estadual.
Segundo Murini, as empresas vêm ajustando o modelo, com contratação de mais classificadores e qualificação de orientadores agrícolas, e a tendência é de que as dificuldades iniciais sejam superadas ao longo do ciclo. Em Santa Catarina e Paraná, a proposta segue em debate nas assembleias, sem avanço para legislação estadual até o momento. Nesses estados, a comercialização continua com classificação nas esteiras das empresas integradoras, com possibilidade de acompanhamento pelo produtor, o que, na avaliação da Afubra, contribui para discutir e valorizar o produto entregue.









