Policial militar preso em flagrante após atirar contra mecânico em Sobradinho será investigado nas esferas militar e comum

O comandante ressaltou que a Brigada Militar não antecipa conclusões antes da investigação, mas afirmou que a instituição repudia esse tipo de conduta.
Foto: Reprodução

O caso envolvendo o policial militar que efetuou disparos de arma de fogo contra o mecânico Willian Wink, conhecido como “Alemão Performance”, no último sábado (1º), em Sobradinho, deve ter desdobramentos nas esferas criminal e administrativa. Enquanto a Brigada Militar afirma que adotou todas as medidas legais e garante uma investigação rigorosa, a defesa da vítima sustenta que houve uma tentativa de homicídio qualificado e cobra uma apuração célere e imparcial. Em entrevista ao programa Enfoque, da Rádio Sobradinho, o comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Cristiano Marconatto, informou que o policial Djavan Roger Fritsch, foi preso em flagrante ainda no sábado e encaminhado ao Presídio Militar, em Porto Alegre, onde permanece à disposição da Justiça Militar.

Segundo ele, a prisão inicial ocorreu pelo crime militar de abandono de posto, já que o servidor teria deixado o local de serviço e utilizado viatura e arma funcional para tratar de um assunto de caráter particular. Além disso, os disparos efetuados contra a vítima também integram a investigação. Marconatto explicou que o policial passará por audiência de custódia, ocasião em que a Justiça Militar deve decidir sobre a manutenção da prisão preventiva ou eventual concessão de liberdade provisória. Paralelamente, foi instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar todas as circunstâncias do caso, enquanto a Polícia Civil deverá conduzir investigação sobre os disparos efetuados contra o mecânico. O comandante ressaltou que a Brigada Militar não antecipa conclusões antes da investigação, mas afirmou que a instituição repudia esse tipo de conduta.

Segundo ele, caso sejam comprovadas irregularidades, o policial poderá responder nas esferas criminal, administrativa e até perder a função pública, dependendo do resultado dos processos disciplinares. Marconatto também rebateu críticas direcionadas à corporação após a ampla repercussão do caso nas redes sociais, afirmando que a versão oficial é aquela apresentada pela instituição e alertando para a disseminação de informações falsas. Ele destacou ainda que a Brigada Militar possui programas de acompanhamento psicológico para os policiais, embora reconheça que nem sempre seja possível identificar previamente todas as situações de vulnerabilidade emocional. Representando o mecânico Willian Wink, o advogado criminalista Maurício Batista da Silva afirmou que a defesa entende que o caso deve ser tratado como tentativa de homicídio qualificado, e não como lesão corporal como chegou a ser apontado em nota oficial pela Brigada Militar. Segundo ele, as imagens que circulam nas redes sociais demonstrariam que a vítima estava rendida e sem possibilidade de reação quando foi atingida pelos disparos.

O advogado informou que William passou por cirurgia e permanece internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Caridade e Beneficência de Cachoeira do Sul. Conforme relatou, ele sofreu perfurações no fígado e no intestino, além de lesão no pulso, e as primeiras 72 horas após as cirurgias são consideradas decisivas para sua recuperação. Maurício Batista afirmou que a defesa pretende acessar os inquéritos conduzidos pela Polícia Civil e pela Brigada Militar e solicitar providências para que o policial responda por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo ele, havia registros anteriores de desavenças entre as partes, incluindo ocorrências relacionadas à perturbação do sossego e supostas ameaças. Ainda assim, argumenta que esses fatos não justificariam a reação do policial.

Para o advogado, o caso também deverá ser analisado pela Justiça comum, por envolver crime doloso contra a vida, além das apurações na esfera militar. Ele defende que a investigação seja conduzida com rapidez e imparcialidade e afirma que o uso da viatura e da arma funcional reforça a gravidade da ocorrência. Ainda conforme Maurício Batista da Silva, Willian estaria buscando alternativas para reduzir os conflitos relacionados ao funcionamento da oficina, inclusive dialogando sobre uma possível mudança de endereço. O advogado afirmou que, mesmo diante de eventuais reclamações de vizinhos, qualquer controvérsia deveria ser resolvida pelos meios legais e nunca mediante violência. Já o advogado Vilson Roberto Pohllmann, que acompanhou o PM no momento da prisão, foi procurado pela reportagem das Rádio Sobradinho e Jacuí, porém, preferiu não se manifestar.

Conforme ele, isso será feito num momento oportuno. O Policial já havia feito registro na própria Brigada Militar, Polícia Civil e Ministério Público por perturbação do sossego devido ao barulho causado pelo ronco das motos, enquanto o mecânico fez registros por ter sofrido ameaças do policial. A Polícia Civil deve começar a ouvir as testemunhas do caso, ainda nesta segunda-feira (03). Willian Winck é proprietário de uma oficina localizada no Bairro Rio Branco, em Sobradinho, especializada na preparação de motos para competições, profissional reconhecido nacionalmente neste setor. Conforme o último boletim médico, divulgado pelo Hospital de Caridade, ele permanece internado na UTI, e ainda inspira cuidados. De acordo com familiares, Willian está reagindo bem a cirurgia.

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