Secretários explicam retorno temporário à Câmara em votação de veto do Executivo

O secretário de Obras revelou que as críticas extrapolaram o ambiente político e chegaram à sua família.
Foto: Henrique Lindner

Os secretários municipais da Saúde de Sobradinho, Cristiano Lopes, e de Obras, Olandir Bernardy (Pequeno), utilizaram entrevista concedida à Rádio Sobradinho para esclarecer a polêmica envolvendo o retorno temporário de ambos à Câmara de Vereadores durante a votação do veto ao projeto da chamada Lei da Transparência. Segundo eles, a decisão gerou interpretações equivocadas e uma série de críticas que atingiram não apenas suas atuações públicas, mas também suas famílias. Logo no início da entrevista, os dois afirmaram que foram comunicados sobre o afastamento temporário das secretarias apenas na sexta-feira que antecedeu a sessão legislativa e negaram que tivessem participado previamente da estratégia adotada pelo Executivo. Cristiano Lopes relatou que, até ser chamado à Prefeitura, sequer conhecia os detalhes do veto que seria discutido e precisou analisar toda a situação somente após reassumir a presidência da Câmara na segunda-feira.

Olandir Bernardy confirmou a versão do colega e disse que também foi informado em cima da hora. Segundo ele, a principal preocupação era compreender os apontamentos jurídicos feitos ao projeto antes de qualquer votação, já que entendia não haver urgência para colocar o veto imediatamente em pauta. Durante a entrevista, ambos fizeram questão de enfatizar que nunca foram contrários à transparência na administração pública. O argumento central apresentado foi de que o veto ocorreu por questões técnicas e jurídicas, especialmente em relação ao prazo previsto para cumprimento da lei e à criação de obrigações ao Poder Executivo por iniciativa do Legislativo, situação que poderia gerar problemas legais para a administração municipal. Conforme relataram, o entendimento foi de manter o veto apenas mediante o compromisso de que um novo projeto, com os ajustes necessários, fosse encaminhado imediatamente pelo Executivo, o que acabou ocorrendo e foi aprovado nessa segunda-feira (20) pelos vereadores.

Cristiano Lopes afirmou que seu voto, por ser presidente da Câmara, acabou sendo interpretado como um posicionamento contrário à transparência, classificação que rejeitou. Segundo ele, a intenção sempre foi encontrar uma solução que permitisse aprovar a legislação sem riscos jurídicos para o município. O secretário também avaliou que houve exploração política da situação e lamentou a repercussão nas redes sociais. Já Bernardy afirmou que o episódio provocou desgaste desnecessário e criticou a mobilização de pessoas para acompanhar a sessão da Câmara antes mesmo de o projeto entrar em votação. Segundo ele, muitas críticas foram feitas sem que os fatos fossem plenamente conhecidos. O secretário de Obras revelou que as críticas extrapolaram o ambiente político e chegaram à sua família. Bernardy, emocionado, contou que até mesmo sua mãe, com mais de 80 anos, o questionou sobre a situação após acompanhar os comentários que circularam na comunidade.

Segundo ele, esse foi um dos episódios que mais o marcaram durante toda a polêmica, pois sentiu a necessidade de explicar aos familiares que jamais atuou contra a transparência ou contra os interesses da população. A declaração evidenciou o impacto pessoal provocado pela repercussão do episódio. Ao final da entrevista, os dois voltaram a afirmar que a discussão nunca foi sobre impedir a transparência, mas sim assegurar que a legislação fosse aprovada de forma juridicamente correta. Para eles, a aprovação posterior do projeto ajustado demonstra que o objetivo sempre foi encontrar uma solução legal para garantir a publicidade dos atos da administração pública em relação ao Hospital São João Evangelista sem criar insegurança jurídica para o município.

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