Os vereadores que integram a Comissão de Saúde da Câmara de Sobradinho defenderam o projeto de lei que busca ampliar a transparência na aplicação dos recursos públicos destinados ao Hospital São João Evangelista. As declarações foram feitas durante entrevista concedida à Rádio Sobradinho, após o prefeito Luiz Affonso Trevisan vetar a proposta. Participaram da entrevista o presidente da Comissão de Saúde, vereador Jairo Hermes (PDT), além da vereadora Cátia Dalmolin (PP) e o vereador Jonas Horbach (PT), que também integram a comissão. Também estiveram presentes as vereadoras Daniele Karnopp (PP) e Bianca Oliveira (MDB). Segundo os parlamentares, a proposta surgiu após a Câmara aprovar importantes recursos para o hospital, entre eles a desapropriação do imóvel, um aporte financeiro e a autorização para um financiamento de até R$ 10 milhões.
Eles afirmam que, desde então, passaram a ser cobrados pela comunidade sobre a destinação desses valores e decidiram elaborar um projeto que permita ao cidadão acompanhar de forma mais detalhada a utilização dos recursos públicos. De acordo com os vereadores, a intenção nunca foi expor pacientes, servidores ou gestores, mas garantir que despesas, notas fiscais, recibos e demais documentos referentes aos recursos municipais destinados ao hospital possam ser consultados pela população, sempre respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Os parlamentares também contestaram as justificativas apresentadas pelo Executivo para o veto. Eles afirmam que o projeto foi elaborado com respaldo jurídico, recebeu parecer favorável da Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final da Câmara e que eventuais ajustes, como a definição de um prazo para implantação da medida, poderiam ter sido feitos por meio do diálogo, sem a necessidade de veto integral.
Outro ponto destacado pelos vereadores foi que o projeto não surgiu por desconfiança em relação à atual administração do hospital. Segundo eles, a própria Câmara aprovou recursos milionários para auxiliar na recuperação da instituição, justamente por acreditar no trabalho desenvolvido. O objetivo, segundo eles, é fortalecer a transparência e oferecer mais segurança tanto para a população quanto para os próprios gestores. Durante a entrevista, também houve críticas à forma como o Executivo conduziu o processo. Os parlamentares afirmaram que faltou negociação antes da decisão pelo veto e defenderam que o diálogo poderia ter evitado o impasse.
Bianca criticou a decisão de exonerar temporariamente dois secretários municipais para que retornassem à Câmara e participassem da votação do veto, classificando a medida como uma manobra política. Já Daniele afirmou que a apresentação do veto acabou gerando dúvidas na população sobre a necessidade de impedir a aprovação da proposta. Os vereadores afirmaram ainda que, caso o veto seja mantido e o Executivo encaminhe um novo projeto com o mesmo objetivo e garantindo os mecanismos de transparência defendidos pelo Legislativo, a proposta terá apoio dos parlamentares. A votação do veto está prevista para a próxima segunda-feira, quando a Câmara de Vereadores deverá decidir se mantém ou derruba a decisão do prefeito.









