Clima adverso impacta lavouras de soja e milho no RS

A semeadura tardia e o plantio de soja em sucessão ao milho ocorreram de forma irregular, especialmente em áreas sem irrigação, dificultando a emergência e o estabelecimento das plantas.
Foto: Divulgação/Emater

A cultura da soja encontra-se, em sua maioria, em fases reprodutivas, com 42% das áreas em florescimento e 39% em enchimento de grãos. Conforme a Emater/RS-Ascar, as condições climáticas ao longo do período foram predominantemente desfavoráveis, marcadas por déficit hídrico, temperaturas elevadas, alta demanda evaporativa da atmosfera e baixa umidade relativa do ar. Esse cenário provocou estresse hídrico em parte das lavouras, com sintomas como murchamento, senescência foliar precoce, abortamento de flores e vagens, além da redução e queda da área foliar. Os efeitos comprometem o potencial produtivo em diversas regiões.

A semeadura tardia e o plantio de soja em sucessão ao milho ocorreram de forma irregular, especialmente em áreas sem irrigação, dificultando a emergência e o estabelecimento das plantas. A situação aumentou a desuniformidade das lavouras, elevando o risco de replantio e de perdas adicionais. Em alguns casos, áreas inicialmente previstas podem nem chegar a ser implantadas. Para a Safra 2025/2026 no Rio Grande do Sul, a projeção da Emater/RS-Ascar aponta uma área cultivada de 6.742.236 hectares. No entanto, a produtividade estimada antes do plantio deve sofrer impacto negativo devido às condições climáticas.

Um novo levantamento de campo será realizado na segunda quinzena de fevereiro para atualizar as estimativas de produção. Já a colheita do milho alcança aproximadamente 50% das áreas, avançando rapidamente em razão do tempo seco e quente, que acelera a redução da umidade dos grãos. O restante das lavouras está distribuído entre as fases de maturação (21%), enchimento de grãos (16%), floração (6%) e desenvolvimento vegetativo (7%). As produtividades nas áreas já colhidas são consideradas satisfatórias, com médias próximas às projeções iniciais.

No entanto, há grande variabilidade, influenciada pelas condições de solo, clima e manejo adotado. A escassez de chuvas e as altas temperaturas durante fases críticas — como pendoamento, polinização e enchimento de grãos — reduziram o potencial produtivo, principalmente em áreas com solos de menor capacidade de retenção de água. A baixa umidade do solo também tem limitado o plantio da segunda safra e de cultivos em sucessão, dificultando a emergência e o desenvolvimento inicial das plantas. A estimativa é de cultivo em 785.030 hectares, com produtividade inicialmente projetada em 7.370 kg por hectare. Uma nova projeção deverá ser divulgada no início de março.

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