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Saúde 07/10/2020 13:53
Por: Redação

Cerro Branco ainda não registrou casos de Coronavírus

Em Cerro Branco, a maior parte da população vive em zona rural.

Se os 497 municípios que formam o Rio Grande do Sul fossem peças de dominó que caíssem após registrar a primeira infecção por covid-19, apenas duas ainda estariam de pé: representariam as pequenas Cerro Branco, na Região Central, e Garruchos, no Noroeste. Passados 213 dias desde que o coronavírus chegou ao Estado em um longínquo e quente fim de fevereiro, são as únicas cidades onde nenhum habitante foi contaminado, conforme dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES).

Em Cerro Branco, a maior parte da população vive em zona rural e trabalha em plantações de tabaco — portanto, já vivia em distanciamento social antes da pandemia, diz a psicóloga e coordenadora da Atenção Básica do município, Thatiane Siqueira. Segundo dados do IBGE, a densidade populacional de Cerro Branco é de apenas 28 habitantes/km² – em Porto Alegre, a densidade é de 2.837 hab/km². Thatiane Siqueira destaca que desde o início da pandemia foram feitas ações de sensibilização. 

Segundo ela, um dos médicos, muito conhecido e com credibilidade muito grande junto à população, saiu em carro de som orientando as pessoas a ficarem em casa Em Garruchos, os 2,9 mil habitantes vivem sob regras mais rígidas. Os bares seguem fechados e, para os fiéis, só é possível assistir à missa de dentro do carro. A cidade faz fronteira com a Argentina, em ligação hidroviária — acampamentos de pescadores estão proibidos. A densidade populacional é de somente 4 habitantes/km². A Secretaria Municipal da Saúde também desenhou uma política de rastreamento: quem passa por uma das três saídas da cidade é parado, tem a temperatura aferida e informa de qual cidade veio e para onde irá. Dias depois, a prefeitura liga para averiguar se apareceu algum sintoma de coronavírus.

No geral, segundo o médico e professor de Epidemiologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Jair Ferreira, cidades pequenas são as últimas a registrarem casos de uma epidemia porque ficam afastadas dos grandes centros, o que reduz a circulação de viajantes, e a população vive espalhada em fazendas distantes entre si.