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Polícia 10/01/2019 14:27
Por: redacao

Homicídio em Candelária: Diretor do Hospital diz que não tinha conhecimento sobre atualização de tornozeleira

Aristides Feistler disse que em nenhum momento a Casa de Saúde foi informada de que este tipo de ação era executada junto às dependências do hospital.

O homicídio que chocou a comunidade de Candelária e região na manhã de terça-feira (08), no acesso ao Hospital Candelária levanta agora um outro questionamento. De quem partiu a autorização para que a atualização da tornozeleira eletrônica de Antônio Gomes Rios, 48 anos, fosse efetuada junto a um local com circulação de tantas pessoas, considerando que a vítima já havia passado por outras duas tentativas de homicídio em 2018?

Em vídeo com imagens das câmeras de segurança, divulgado pela Polícia Civil, é possível ver o exato momento em que Rios é atingido, corre do seu executor, que busca junto a motocicleta e seu comparsa uma outra arma e retorna para finalizar o crime. Nas cenas, mais do que a execução, é possível perceber a movimentação de pessoas junto a porta do hospital, inclusive pessoas com dificuldade de locomoção, um idoso e uma criança que correm desesperados ao perceber a ação dos criminosos. De acordo com o delegado de polícia de Candelária, não é de competência da Polícia Civil determinar os pontos de atualizações das tornozeleiras dos apenados, mas sim da Coordenadoria da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe).

A Susepe não se pronunciou sobre o caso, entretanto, no jornal Gazeta do Sul, edição desta quarta-feira, o delegado penitenciário regional, Andreo Camargo, justificou que a mudança do local da atualização da tornozeleira do apenado se deu após a primeira tentativa de homicídio contra o mesmo em frente ao Presídio Estadual de Candelária. Na época, Rios conseguiu fugir, mas duas pessoas morreram no local, e uma tempo depois. Por sua vez, a juíza Luciane Inês Morsch Glesse, da Vara de Execuções Criminais (VEC) regional, disse não ter sido comunicada do ponto estipulado para o serviço e que jamais autorizaria a medida pelo risco que oferecia a comunidade. No entanto, o delegado da Susepe afirma que a mudança não necessitaria da autorização da VEC.

Conforme o diretor do Hospital Candelária, Aristides Feistler, em nenhum momento a Casa de Saúde foi informada de que este tipo de ação era executada junto às dependências do hospital. Para ele, esse serviço deveria ser feito na Brigada Militar ou na Delegacia de Polícia. Feistlet destaca que os funcionários do hospital ficaram em choque, alguns deles necessitando receber medicação.

Diante dos riscos, a juíza da Vara de Execuções Criminais encaminhou um pedido ainda na terça-feira para a delegacia penitenciária, solicitando que toda atualização do tipo, ocorra em frente ao presídio. Com a suspeita de que o crime possa se tratar de uma retaliação em função de outro crime envolvendo a vítima, agora a Polícia Civil segue com as investigações.