Logo Rádio Sobradinho AM & Jacuí FM
Política 14/02/2018 14:49
Por: Redação

Cinco dos 10 deputados mais faltosos da Assembleia em 2017 são da base de Sartori

A lista foi publicada no site Gaúcha ZH pelo repórter Marcelo Kervalt.

O Deputado Estadual Adolfo Brito foi o parlamentar que mais faltou às terças-feiras em 2017, dia em que, geralmente, ocorrem as votações na Assembleia Legislativa.  A matéria publicada no site Gaúcha ZH pelo repórter Marcelo Kervalt, revelou a lista dos deputados mais faltosos. No dia 22 de dezembro, a assembleia vivia seu dia mais importante de 2017, prestes a decidir se o Rio Grande do Sul poderia postular o ingresso no regime de recuperação fiscal proposto pela União.

Na véspera, intensa movimentação política foi criada pelo Piratini para que deputados aliados comparecessem e aprovassem o projeto tratado pelo governo como única saída para evitar o colapso financeiro. Mesmo assim, dois deputados da base não apareceram, enfraquecendo o quórum: Pedro Pereira (PSDB) e Sérgio Turra (PP). Maurício Dziedricki (PTB), que tem votado favorável ao governo, também faltou. A estratégia da oposição de ocupar a tribuna até esgotar o tempo da sessão deu certo, a apreciação da matéria não aconteceu, e o projeto acabou aprovado somente na semana passada.

Os três parlamentares estão no ranking dos mais faltosos deputados do exercício legislativo de 2017 – e metade do top 10 é formada por aliados do governo Sartori (são partidos da base: PMDB, PP, PSDB, PSD, PSB, PV, PR, PRB e PPS). Pereira tem 31 faltas, Turra, 25, e Dziedricki, 24. Ainda que ausente em 25% das sessões, o tucano ocupa apenas o terceiro lugar na lista. O deputado do PP é o 7º e o petebista, o 10º. O topo cabe a Luís Augusto Lara (PTB), com 39 faltas – sendo uma delas não justificada – nas 125 sessões do ano. Se consideradas, ainda, as quatro vezes em que se ausentou do trabalho legislativo por licença, Lara esteve distante em 34% das sessões – cinco dessas ausências foram em dias de votação. — São raras as terças-feiras em que o plenário está completo. Às vezes, precisamos faltar por compromissos políticos, mas, às terças-feiras, todos sabem que tem votação — desabafou um governista á reportagem.

Até setembro, a Assembleia havia votado o menor número de projetos em sete anos. A baixa produção passa pela falta de articulação e de sintonia entre a base, como avaliam deputados. Prova disso é que o segundo deputado mais faltoso é Edu Olivera (PSD), único representante da sigla na Assembleia e correligionário do vice-governador José Paulo Cairoli. Olivera acumula 35 faltas e seis dias de licença, sendo sete ausências em terças-feiras, principal dia de trabalho no Legislativo. O parlamentar do PSD só tem menos ausências as terças do que Adolfo Brito (PP), também aliado de Sartori, com oito dias distante do plenário.

Pode haver votação em outros dias da semana, mas é geralmente às terças-feiras que as proposições são apreciadas. Ao longo do ano, quando houve votação, independentemente do dia da semana, Oliveira não esteve em cinco sessões, uma delas na quarta-feira, 6 de dezembro, quando foi apreciado o projeto de lei do Executivo que estimou a receita e fixou a despesa do Estado para o exercício financeiro de 2018. Pedro Pereira, que fecha o top 3 dos mais faltosos, com 31 faltas, teve apenas uma ausência nas terças-feiras – neste dia, não houve votação. A reportagem ouviu os três primeiros do ranking, os ausentes em 22 de dezembro e o parlamentar com mais ausências nas terças-feiras.

Luis Augusto Lara (PTB), afirma que “as faltas excedidas foram devidamente justificadas e descontadas” do salário ao longo do ano. "Apesar de saber que sofreria os descontos, não me restou outra opção, pois propus e liderei três temas importantes para o RS: o ressarcimento da Lei Kandir devido pelo governo federal, à transparência com a abertura da caixa-preta dos incentivos fiscais e o Regime de Recuperação Fiscal e várias reuniões com autoridades e chefes de poderes, em agendas por eles marcadas justificou.

Edu Oliveira (PSD), explica que as 35 faltas no seu primeiro ano na Assembleia são consequência dos 500 quilômetros que separam Porto Alegre da sua base eleitoral, Santana do Livramento, e disse manter um escritório regional, para que a população não tenha de viajar até a Capital, e que passou boa parte do ano participando de audiências públicas.

Pedro Pereira (PSDB), justifica suas ausências com as viagens que faz para o Interior: — Rodei 80 mil quilômetros no ano passado para ouvir prefeitos, médicos, sindicatos e toda a comunidade. Toda a quinta-feira saio para fazer esses roteiros programados. Mas nos dias de votação, não falto. Sobre sua ausência em 22 de dezembro, uma sexta-feira, foi enfático:— Não fui por não ser dia de votação normal. Não podia ir e não fui.

Sérgio Turra (PP), Alega que não esteve na sessão do dia 22 de dezembro por dois motivos. O principal foi viagem marcada seis meses antes ao Exterior, cuja desistência implicaria passar o Natal longe da família. A outra é que, por ter sido sessão extraordinária, considerou dispensável a presença por entender que seria impossível o texto ser votado. Sobre as 25 faltas, justifica que, por ser vice-presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo, precisa viajar ao Interior.

Maurício Dziedricki (PTB), Informa que não compareceu à sessão de 22 de dezembro em razão de uma viagem ao Exterior:  Além disso, não tinha previsão de votação para nada naquela data.

Já o deputado Sobradinhense Adolfo Britto (PP) – Presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo, é quem mais faltou às terças-feiras, dia em que, geralmente, ocorrem as votações segundo a reportagem. As oito vezes em que esteve ausente em 2017 são justificadas pelo parlamentar pela necessidade de viagens à capital federal: — Os problemas da comissão precisam ser resolvidos em Brasília, então viajo terça de manhã ou já na segunda-feira à noite.

Segunda não tem ninguém lá, nem ministro. Quinta e sexta, os deputados federais estão viajando de volta para suas regiões. Então, tenho de ir terça e quarta para pegar todo mundo lá -  justificou  Adolfo Brito. Em 2017, Brito faltou em 12% das sessões, tendo 15 faltas e 16 licenças.

Fonte: site Gaúcha ZH