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Geral 10/09/2015 11:38
Por: Redação

ENFOQUE – 10 de setembro de 2015 – Quinta-feira

Beco sem saída Se você fosse deputado votaria sim ou não ao aumento dos impostos? Imagino que a resposta da maioria, obviamente, é não. Isso porque você ainda não é um deputado, e por isso, não pensa como um deputado. Mas se fosse, talvez começasse a pensar diferente. Talvez continuasse a dizer não para agradar aos eleitores, mas poderia a passar a votar sim. Principalmente se você fosse do lado do governo. Todos os governos querem arrecadar sempre mais, independentemente de sua ideologia. E em alguns casos, talvez não haja outra maneira a não ser aumentar impostos. Possivelmente este seja o caso atual do Rio Grande do Sul. Eu não quero, você não quer, acho que até mesmo o Sartori não queira, mas parece que neste momento de crise extrema não haja outra alternativa, a curto prazo. Antes que você me detone por dizer isso, quero deixar claro que há uma lista enorme de regalias que deveriam ser cortadas para economizar recursos dos cofres públicos. O problema é que a maioria desses benefícios são direitos adquiridos que tem alguma base legal e não está ao alcance do governador cortá-los de uma hora para a outra. E mesmo se fosse viável, não resolveria o problema de caixa, só no longo prazo. Vou citar um: na Brigada Militar, quem se aposenta automaticamente é promovido a um posto acima. Capitão na ativa vai para inatividade como major. É justo isso? Nos escalões mais baixos isso não representa tanto, mas imaginem entre os altos oficiais? No entanto, cortar esses e outros benefícios não é o suficiente, mesmo que necessário. Reduzir os salários dos deputados, como alguns sugerem, da mesma forma. A pergunta é: caso o aumento de impostos não seja aprovado, e a folha salarial continuar sempre atrasada, não há o risco de se instalar um caos generalizado no nosso estado? Quantas pessoas vão morrer devido à falta de policiamento, devido à falta de leitos hospitalares e de remédios? É possível que alguém diga que eu caí na armadilha do Sartori, que teria criado o clima necessário para justificar o aumento de impostos. Sim, ele usou essa estratégia, mas qual é a saída se simplesmente não há como pagar todas as contas? O problema de aprovar o aumento dos impostos é que, mais uma vez, se empurra pra frente a solução verdadeira para os problemas, que engloba uma série de medidas impopulares e a renegociação da dívida com a União que se arrasta há muitos anos. Ou seja, poderia se dar uma sobrevida ao governo aprovando o tarifaço, mas condicionando isso com várias outras medidas de austeridade de cima para baixo para que, em alguns anos se pudesse aplicar uma redução nos impostos. Mas é ingenuidade pensar que todos vão sentar numa mesa e dizer do que vão abrir mão. Portanto, estamos num beco sem saída. Se não aprovamos o aumento dos impostos corremos o risco do caos. Se aprovamos, corremos o risco de mais uma vez empurrar a solução real do problema para frente e seremos cúmplices de distorções e injustiças. O mais triste é pensar que entre os deputados, alguns vão penar apenas nos cargos que seu partido tem no governo para votar contra ou a favor. E se você fosse deputado?