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Geral 11/09/2015 11:23
Por: Redação

ENFOQUE – 11 de setembro de 2015 – Sexta-feira

A faculdade de meus filhos Um tempo atrás eu havia decidido que não abriria uma poupança para custear a faculdade de meus filhos no futuro. “Se eles não conseguirem passar numa federal, eles entram numa particular e usam o Fies, o financiamento estudantil do governo federal”, dizia eu. Minha posição estava baseada na ideia de que o filho não pode crescer com a certeza de que já tem sua faculdade garantida, de que papai e mamãe garantem a verba. A meu ver, é confortável demais, dispensa qualquer esforço deles.
Hoje, estou revendo minha decisão. Vou abrir uma poupancinha. Diante das incertezas que ai estão, é mais prudente. Mesmo assim, não pretendo ser aquele pai que garante todo o estudo do filho, com direito a mesada e tudo mais. Negativo! Desde agora, estou passando a ideia de que é preciso fazer por merecer, que dentro das possibilidades, terão que trabalhar de alguma forma para ajudar a bancar as suas despesas. Se não for um emprego formal, que seja trabalho eventual, mesmo que não seja possível garantir todo seu sustento, mas que tenha valor simbólico. Mesmo assim, continuo torcendo para que o governo continue oferecendo o Fies no futuro, com menos complicações que hoje. Mas isso levanta outra questão: deveria meu filho ser custeado pelo FIES? A partir de que renda o governo deve financiar o ensino superior para a população? Outro dia, ouvi uma conversa de uma pessoa criticando o governo porque seu filho ficou sem o Fies. Num primeiro momento, crítica justa. Mas era uma pessoa de classe média/alta, com renda bem elevada. Naquela mesma semana eu havia conversado com uma jovem do Bairro Medianeira, que sonha com a faculdade, que chegou a se matricular numa universidade particular, mas que teve de abandonar o curso porque ficou de fora do mesmo Fies. Será que um estudante de renda alta não ficou com a vaga dessa jovem de Sobradinho? Vou abrir uma poupança para meus filhos, sim. Mas também vou conversar com eles sobre esse tipo de coisa, sobre as injustiças e virtudes de nosso país. Mais importante que eles cursarem uma faculdade, é eles se formarem bons cidadãos.