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Geral 14/09/2015 11:14
Por: Redação

ENFOQUE – 14 de setembro de 2015 – Segunda-feira

As pichações e meu avô Meu avô conta que quando era jovem, lá pelo idos de 1930, 1940 a rapaziada também gostava de aprontar. Certa feita, ele entrou a cavalo num salão de baile. Ele e mais alguns amigos. A cavalo, dentro de um salão e ainda com revólver na cintura.
Ele também lembra que naqueles tempos era comum os jovens fazerem algumas sacanagens nas casas dos amigos ou vizinhos. Entre estas brincadeiras estava desmontar a carroça enquanto o dono não estava em casa e esconder as partes dela. Numa ocasião, colocaram as rodas em cima da varanda do galpão. Imaginem a surpresa quando o dono chegou? Também desengatavam as porteiras das propriedades e os animais saiam pela estrada. Medonho esse meu avô! Pois eu lembrei das histórias de meu avô ao ouvir os comentários e notícias sobre alguns tipos de vandalismo aqui na cidade, como as pichações. Concluí que, pelo jeito, meu avô era meio vândalo. No mínimo, ele andava com más companhias. Pois bem. Ontem, a turma chegada a uma pichação se reuniu numa iniciativa interessante em Sobradinho, a 1ª Conexão de Rua. Fui dar uma conferida e gostei do clima do local, a praça jornalista Valacir Cremonese. Tinha música, gurizada andando de skate – inclusive crianças pequenas com seus pais – algumas práticas esportivas e, claro, um misto de pichação com grafite, mas de forma organizada, em locais pré-definidos. Além de jovens em geral curtindo uma bela tarde na praça. O que essa iniciativa mostra é que as tradicionais tentativas de envolver os jovens em atividades de grupo não funcionam para todos. Nem todos se enquadram no futebol, no CTG, na patinação, no veloterra. Alguns têm gostos e habilidades diferentes, mais voltados à música, à arte, a um tipo de expressão que nem eles sabem ao certo o que é. Eles só sabem que o normal, o convencional não lhes agrada. É careta. Eventos como o de ontem não tem a capacidade de acabar, de uma hora para a outra, com algumas práticas condenáveis, como a pichação. Mas abrem possibilidades. A arte, com suas diferentes formas de expressão, é um dos melhores remédios para uma vida mais saudável. Apoiar iniciativas assim é fundamental, mas sem tirar a autonomia deles, sem alterar a essência. É verdade que em alguns casos é necessário mais que arte. É necessário mais família, por exemplo. Mas, pensando bem, quem de nós já não aprontou algumas? Meu avô que o diga. Você também já aprontou as suas, certo? As minhas eu conto outro dia, quem sabe, para meus netos.