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Educação 09/02/2019 12:01
Por: redacao

Jovem quilombola de Lagoão vai cursar medicina em Pelotas

Rudnei da Rosa dos Santos conseguiu uma vaga para o curso de medicina na Universidade Federal de Pelotas, através do sistema de cotas para quilombolas, sendo o primeiro colocado.

Residente na Comunidade Quilombola Vila Miloca, em Lagoão, aos 20 anos, Rudnei da Rosa dos Santos conseguiu uma vaga para o curso de medicina na Universidade Federal de Pelotas, através do sistema de cotas para quilombolas, sendo o primeiro colocado.Para que isso ocorresse, era preciso que a Comunidade Quilombola Vila Miloca fosse reconhecida pela Fundação Cultural Palmares, entidade vinculada ao Ministério da Cultura e responsável, entre outras ações, em reconhecer as comunidades quilombolas existentes no território brasileiro.

A EMATER desenvolve ações de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social na localidade de Ronda Alta, onde atualmente fica a comunidade quilombola e, desde 2012, algumas dessas famílias foram beneficiárias do Programa Brasil Sem Miséria (PBSM). Segundo a extensionista social, Viviane Rörhs, “essa era a comunidade onde tinha o maior número de famílias em situação de vulnerabilidade social. Entre as ações, a EMATER buscou organizar o grupo de trabalhadoras rurais, onde a maioria das agricultoras era de origem afrodescendente. Além disso, auxiliou no processo de certificação da Comunidade Vila Miloca, desde janeiro de 2016, com visitas, reuniões e entrevistas com os integrantes da Comunidade.

Em janeiro de 2017 a solicitação para o reconhecimento da Comunidade de Vila Miloca foi oficializada junto a Fundação Cultural Palmares, sendo publicada no Diário Oficial da União em 5 de abril de 2017. Segundo o assistente técnico da área de Organização Econômica do Escritório Regional EMATER de Soledade, Evandro Scariot, “a certificação de uma comunidade quilombola é fundamental para as famílias, pois além de valorizar sua etnia, ancestralidade, cultura e a tradição, também fortalece os laços sociais, promove a organização comunitária e abre as portas para uma série de políticas públicas específicas para comunidades quilombolas”.

Nas reuniões promovidas pela EMATER sempre se buscou sensibilizar as famílias sobre a importância do reconhecimento da comunidade quilombola e as políticas públicas que poderiam ser acessadas por essas famílias. E foi justamente o acesso à política pública voltada à quilombolas que permitiu a Rudnei a realização do sonho de ser médico. Com a assistência continuada da EMATER, o técnico em agropecuária, Olandir Vendruscullo, tomou conhecimento do sonho do jovem e buscou informações sobre as inscrições para os vestibulares nas universidades federais e foi em busca de jovens que estivessem concluindo o ensino médio e que teriam interesse em cursar o ensino superior.

Vendruscullo fez a inscrição de Rudnei, investigou os conteúdos e os repassou para que o jovem pudesse estudar para o vestibular. Além disso, o extensionista buscou o apoio da Administração Municipal para o transporte do jovem até Pelotas.Rudnei dos Santos conta que as dificuldades foram muitas, mas que o apoio que recebeu foi fundamental para que persistisse. Ele ressalta que plano a partir de agora é estudar, e depois de formado poder ajudar a família e trabalhar em municípios pequenos, como Lagoão, onde as pessoas têm dificuldades na área da saúde.