Logo Rádio Sobradinho AM & Jacuí FM
Saúde 13/10/2018 11:42
Por: redacao

Doença da folha verde deve finalmente ganhar maior visibilidade

O projeto, realizado por Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Ministério da Saúde, está em fase final de edição, com lançamento previsto para os próximos meses.

Escondida nas estatísticas oficiais do país, a doença da folha verde deve finalmente ganhar maior visibilidade. A adoção de um protocolo de vigilância em saúde do trabalhador da fumicultura pretende identificar enfermidades e problemas específicos de quem planta. O projeto, realizado por Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Ministério da Saúde, está em fase final de edição, com lançamento previsto para os próximos meses. Hoje, o mal-estar passa despercebido pelo sistema de saúde, sendo muitas vezes considerado intoxicação exógena por agrotóxico em razão dos sintomas parecidos, como náusea e dor de cabeça.

Falta uma categoria específica para a intoxicação pela folha no Sistema Nacional de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Sem conseguir mensurar o número de agricultores afetados, não há como estabelecer comparações e identificar as localidades que necessitam de mais atenção. Longe de ser uma situação exclusiva do Brasil, o problema é comum nos países produtores de tabaco, a maior parte pobre ou em desenvolvimento. O tema foi discutido na 8ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP8), promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na primeira semana de outubro em Genebra, na Suíça. Para se ter uma ideia da discrepância dos dados do Ministério da Saúde, de 2007 a 2017, o Rio Grande do Sul registrou 134 casos de intoxicações exógenas entre agricultores de tabaco.

Apenas em 2018, foram 50 ocorrências. Ou seja, em menos de 12 meses, o número representa quase 40% do verificado na soma de 11 anos. Segundo o vice-presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Marco Dornelles, seria importante ter números consolidados sobre a incidência da folha verde para saber se as ações que estão sendo colocadas em prática são efetivas. A situação pode ser explicada pela maior procura por ajuda médica ou melhora no atendimento que, ainda assim, é considerado falho.

O primeiro passo para a inserção da doença no Sistema Nacional de Informação de Agravos de Notificação é a revisão da lista de doenças relacionadas ao trabalho com a perspectiva da inserção deste agravo. Após a inserção na lista, poderá ser avaliado, a possibilidade de inclusão no sistema a partir de critérios epidemiológicos e impactos na saúde pública.