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Rural 04/01/2020 11:31
Por: Redação

Rio Grande do Sul deve ter a menor safra de fumo dos últimos quatro anos

Com mais de 60% da colheita já concluída, o Estado deve obter 269,7 mil toneladas, conforme a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).

A chuva teve papel decisivo para definir a safra 2019/2020 de tabaco no Rio Grande do Sul. No Vale do Rio Pardo e no Sul, as duas principais regiões produtoras de fumo, o excesso de precipitação pluvial em outubro e a falta dela entre novembro e dezembro afetaram o desempenho das lavouras. Com mais de 60% da colheita já concluída, o Estado deve obter 269,7 mil toneladas, conforme a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).

Isso representa queda de 16% frente ao período anterior e equivale a cerca de 50 mil toneladas a menos do produto. Por causa do clima desfavorável, a safra deverá ser a menor desde 2015/2016, segundo a Afubra. O mau tempo ainda afetou a área plantada, que diminuiu de 145,2 mil para 126,9 mil hectares nesta temporada. Ainda assim, o Rio Grande do Sul manterá o posto de maior produtor de tabaco do Brasil, respondendo por 40% da produção do país.

No Vale do Rio Pardo, região que costuma realizar o plantio mais cedo, o longo período de chuva verificado em outubro veio pouco tempo após a aplicação de adubo nas lavouras. Como o fertilizante não agiu por tempo suficiente no solo, o desenvolvimento das plantas foi afetado. Além disso, algumas propriedades que começavam a colher as primeiras folhas na época sofreram com a incidência de granizo e tiveram parte da produção dizimada. Se as precipitações vieram em demasia em outubro, a partir do mês seguinte a escassez passou a ser um problema para as lavouras. A falta de chuva de meados de novembro ao final de dezembro impactou uma série de propriedades. No Vale do Rio Pardo, a estiagem pegou pequena parte da colheita.

Já na Região Sul, caracterizada pelo plantio mais tardio, a estiagem afetou o desenvolvimento das folhas, assinala o presidente da Afubra, Benício Werner. O cenário pode fazer com que a colheita seja ainda menor em relação à projeção inicial da Afubra, de retração de 16%. Segundo o presidente da entidade, a quebra poderá chegar a até 25% no Estado em comparação com a safra 2018/2019. A indústria observa a situação com cautela.

O presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Iro Schünke, estima que é cedo para se falar em perda de qualidade da matéria-prima, já que a colheita se estende até fevereiro no Estado. Mas admite que a menor oferta pode ser sentida pelas fumageiras. Nesse contexto, Schünke constata que, apesar da retração no Rio Grande do Sul, a safra brasileira transcorre bem.O dirigente reforça que outros Estados produtores, como Santa Catarina e Paraná, não tiveram problemas climáticos e devem abastecer normalmente a indústria. A definição do preço pago aos agricultores pela matéria-prima deve ocorrer na segunda quinzena deste mês de janeiro, após reunião entre representantes da indústria fumageira e dos produtores.

Mesmo com a possibilidade de redução na safra gaúcha, Iro Schünke acredita que haverá matéria-prima suficiente para atender à demanda internacional em 2020. O dirigente ainda avalia que o dólar mais atrativo para os exportadores, que superou a barreira dos R$ 4 em 2019, pode tornar o produto brasileiro mais competitivo no cenário externo. Puxado pela produção do Rio Grande do Sul, o Brasil é o segundo maior produtor e o maior exportador de tabaco do mundo. O principal destino do fumo é a União Europeia, que representa em torno de 40% da vendas. Em seguida, aparecem China e Estados Unidos na relação de maiores compradores.