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Polícia 17/07/2017 13:50
Por: Redação

Polícia captura candelariense considerado o maior traficante do Rio Grande do Sul

Foragido do Brasil desde 2013, o candelariense Neri José Soares, o Nazaré, 39 anos, vivia no Paraguai desde então sob a fachada de pecuarista e era conhecido como Gaúcho.

  • Neri José Soares, o Nazareth, 39 anos, vivia no Paraguai. Foto: divulgação/Polícia Civil
  • Caminhonete era usada pelo traficante

A busca pelo traficante considerado o número “1” do Rio Grande do Sul terminou às 7 horas da manhã de sexta-feira (14) em uma estrada da cidade de Los Cedrales, no Paraguai. Foragido do Brasil desde 2013, o candelariense Neri José Soares, o Nazaré, 39 anos, vivia no Paraguai desde então sob a fachada de pecuarista e era conhecido como Gaúcho.

Com receio de represálias ou tentativa de resgate por parte do grupo de Neri, autoridades paraguaias foram ágeis em entregar o traficante aos policiais gaúchos: menos de duas horas depois da captura, já estava emitida a ordem de sua expulsão  do Paraguai. No momento da prisão, efetuada pelo Denarc com apoio da Polícia Nacional Paraguaia, Neri estava desarmado e dirigia uma S-10 sem seguranças por perto.

Quem o visse, não desconfiaria se tratar de um traficante que movimenta, conforme a Polícia Civil, em torno de 100 milhões de reais nos meses de safra da maconha, enviando carregamentos que saem do Paraguai em lanchas, para facções do Sul e do Sudeste, com pequena ramificação no Nordeste. Ele também estaria envolvido, segundo a polícia paraguaia, no violento ataque à sede da Prosegur, ocorrido em abril, em Cidaud del Este, e que resultou na morte de um policial, rendendo aos bandidos 40 milhões de dólares.

Há suspeita de que teria usado lanchas para o transporte dos malotes de dinheiro. Ao ver viaturas na estrada, Neri tentou fugir. Ele estava na mira da polícia gaúcha havia um ano e sete meses. Sua captura era considerada prioridade desde 2015. Em sua ficha prisional consta que se trata de um: "chefe de quadrilha, líder do narcotráfico, com possibilidade de resgate e escolta de risco".

O secretário da Segurança, Cezar Schirmer, e o chefe da Polícia Civil, delegado Emerson Wendt, estiveram no Denarc para prestigiar o trabalho feito na Operação Cedrales, que teve apoio do Gabinete de Inteligência da polícia. O delegado Wendt ressaltou que quando foi feito planejamento de ações do Denarc em 2015, Neri se destacou como um dos principais alvos.

Natural de Candelária e criado na Vila Nazaré, zona norte de Porto Alegre, Neri é esperto e escorregadio: não usava smartphone, trocava rotineiramente a linha telefônica fixa paraguaia e esbanjava carro novo todo mês. Tinha vida confortável de classe alta. Enquanto se fixava no Paraguai, aprendendo com fluência o espanhol e o guarani, também fortalecia laços com facções brasileiras.

Segundo o Denarc, ele mantém relações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e com “Os Bala na Cara” e “Antibalas”, no Estado. Mas, também fornece maconha para outras quadrilhas. A polícia suspeita que ele costumava dar abrigo a criminosos brasileiros visando a fortalecer os laços comerciais. Para a polícia, foi Neri que inaugurou os tempos de crimes violentos relacionados ao tráfico de drogas na Capital.

Em 2008, se tornou suspeito de ter mandado sequestrar e matar a viúva de seu ex-chefe no tráfico na Vila Nazaré. A mulher e um funcionário dela foram achados soterrados em um poço de 15 metros de profundidade com sinais de tortura. Neri respondeu a quatro inquéritos por tráfico de drogas e um por homicídio. O Denarc agora quer rastrear o patrimônio do traficante.

Há informações de que teria fazendas no Paraguai, onde cria gado. Também há bens no Estado a serem identificados e um inquérito será destinado a desvendar os caminhos da lavagem de dinheiro. A polícia gaúcha manterá o trabalho em parceria com a paraguaia a fim de buscar mais detalhes da vida de Neri naquele país. É preciso descobrir, por exemplo, onde exatamente ele morava e com quem, e tentar identificar outros integrantes de seu grupo. (Fonte: Zero Hora)